Evite os erros mais comuns e se dê bem no Enem

Antes de fazer a prova do ENEM, fiquem atentos aos detalhes da língua portuguesa.

Seja na escola, faculdade ou na carreira profissional, escrever bem é obrigatório. Vale para quem frequenta a faculdade de jornalismo, vale também para quem estuda enfermagem, pedagogia, direito e todos os demais cursos. Foi pensando nisso que o Quero Bolsa, principal plataforma de inclusão de estudantes no ensino superior com bolsa de estudo, reuniu uma série de dicas de especialistas que podem ajudar tanto estudantes quanto quem já está no mercado de trabalho a construir um texto excelente.

Sabendo que há regras que se transformam em armadilhas, selecionamos itens que metem medo até em quem costuma se destacar na linguagem escrita.

A vírgula nossa de cada frase

Vírgula não é indicação de pausa para respirar. A utilização dela ocorre em diferentes situações e, por isso mesmo, deixa muita gente em dúvida sobre como usar. Observe as duas frases a seguir:

Quero comer, gente!

Quero comer gente!

O uso incorreto da vírgula pode mudar todo o sentido do texto e ser extremamente prejudicial à comunicação escrita. A seguir temos uma lista com 5 erros comuns no emprego da vírgula.

Separar o sujeito do predicado.

Ex.: Os pais dos alunos, compareceram à reunião.

O correto é: Os pais dos alunos compareceram à reunião.

Omissão da vírgula para isolar um vocativo.

Ex.: Pai pode me ajudar com esse trabalho da escola?

O correto é: Pai, pode me ajudar com esse trabalho da escola?

Omissão da vírgula para iniciar uma oração adversativa.

Ex.: Já faz meia hora que estou esperando e ela ainda não chegou.

O correto é: Já faz meia hora que estou esperando, e ela ainda não chegou.

Omissão da vírgula para isolar um adjunto adverbial longo.

Em meio à chuva da tarde de quinta-feira ele seguiu viagem.

O correto é: Em meio à chuva da tarde de quinta-feira, ele seguiu viagem.

Omissão das vírgulas para isolar um aposto.

Ex.: Castro Alves o poeta dos escravos nasceu na Bahia.

O correto é: Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu na Bahia.

Há, A e À

Há pode referir a duas situações específicas:

HÁ: tempo decorrido;

Exemplo: Há quanto tempo você está me esperando?

HÁ: existir/haver.

Exemplo: Há muita gente nesse shopping, não é mesmo?

Já o A é usado em duas situações:

A: é uma preposição quando usado depois de um verbo;

Exemplo: Nós estamos a 23 quilômetros do destino final de nossa viagem.

A: é um artigo quando estiver antes de um substantivo.

Exemplo: Olhe para a câmera, querido!

O À com o símbolo de crase (`) é a junção da preposição A com o artigo A. Por exemplo: Nós iremos nos encontrar às 11 horas da noite.

Há e Atrás

Uma das obras mais famosas nascidas da parceria entre Raul Seixas e Paulo Coelho tem em seu título um erro gramatical. É claro que sem a inserção intencional da imprecisão linguística, a canção “Eu nasci há dez mil anos atrás” não teria feito o sucesso que fez. Se a licença poética permite, a linguagem culta condena veementemente. Quando Há, no sentido de tempo passado, e Atrás são usados na mesma frase, quem escreve comete um pleonasmo. Por definição, pleonasmo é a repetição na mesma frase de termos que significam a mesma coisa. Como ambas possuem significado de tempo decorrido, a orientação é optar por um ou outro.

Outros exemplos bem claros de pleonasmo são ‘Subir para cima’, ‘Descer para baixo’ e ‘Entrar pra dentro’.

Mal ou Mau? Eis a questão

Mal é considerado advérbio de modo, quando tem o significado de “incorretamente”. É o antônimo do advérbio bem. Faz referência sempre a um verbo, como advérbio.

Mau é adjetivo. Seu significado é “ruim”. É antônimo de bom.

A maneira mais fácil de entender e saber quando usar mal ou mau é considerando os seus antônimos.

Ele sempre foi muito mau com os animais. (antônimo: bom)

Ele estava se sentindo mal. (antônimo: bem)

Por que usar certo os porquês?

O uso dos porquês é algo que, vez ou outra, gera uma dúvida. Não é para menos, a proximidade entre os 4 termos e suas aplicações causam uma confusão imensa na hora de escrever.

PORQUE:

Como conjunção causal, serve comumente para uma justificativa, veja:

“Eu não vou estudar hoje, porque estou doente.”

Usado em resposta;

Conjunção explicativa;

Introduz causa e motivo;

Podemos substituir por: uma vez que, visto que, pois.

PORQUÊ:

Como substantivo, é sinônimo de razão, motivo. Veja o exemplo:

“Pode me explicar o porquê da sua raiva?”

Substantivo;

Vem acompanhado de um determinante (um artigo, por exemplo);

POR QUE:

Para começar uma interrogação, mas não só em perguntas, veja:

“Por que você não veio?”

“Quero saber por que você não veio.”

“A estrada por que passei, estava muito esburacada.”

Usado em orações interrogativas (diretas e indiretas);

Usados em títulos e manchetes (pois está subentendido uma pergunta indireta);

Pode ser substituído por: para que, pelo qual, pelas quais, pela qual e pelos quais.

POR QUÊ:

O mais parecido com o anterior, no entanto ele é posicionado no final da frase.

“Ele veio sozinho? Por quê?”

“Vocês estão irritados demais e não sei por quê!”

Usado em final de frase;

Acompanhado de um ponto (ponto final, exclamação, interrogação) ou de reticências.

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